Tecnologias Digitais na Prática Pedagógica




Qual modelo de ensino presencial que prevalece atualmente em cursos superiores no Brasil? Provavelmente não irá errar aquele que responder que é o modelo de aulas expositivas, com o professor ou professora repassando aos seus alunos um conteúdo predeterminado pelo projeto pedagógico do curso, e sendo o responsável por avaliar a absorção do mesmo ao longo de um semestre ou ano letivo, seja por meio de trabalhos, listas de exercícios ou provas escritas e orais. Esse modelo, contudo, nem sempre é o mais cativante para os alunos, em especial hoje em dia. Afinal, o professor ou professora nunca teve a experiência de se deparar com uma sala cheia de alunos mais interessados em seus celulares ou em dormir, do que no que ele ou ela estava dizendo? Ou que nunca teve a percepção, na correção de um trabalho ou de uma prova, de que muitos dos alunos não conseguiram absorver o mínimo necessário do conteúdo passado?

No contexto do ensino superior, assim como em outros níveis de ensino, o discurso da inovação das práticas pedagógicas cada dia mais tem permeado as salas de aula, tencionando mudanças na prática docente e trazendo à tona a necessidade de formação continuada dos professores para o trabalho pedagógico com uso de tecnologias digitais.

A intensificação do uso de tecnologias estimulou a criação de um novo perfil dos estudantes que chegam à universidade, o peso da necessidade de inovar a prática pedagógica tem recaído sobre o trabalho do professor. Mas será que o professor é o único responsável por essa tarefa tão desafiadora? Apesar de uma parte da responsabilidade ser do professor, a inovação é algo que se faz em conjunto, pois não pode subsistir com ações isoladas ou desvinculadas de um projeto institucional, onde todos estejam engajados e envolvidos.

Nos cursos de graduação, a inovação é um processo que demanda tempo, investimento, trabalho colaborativo, experimentação e mudanças de ordem curricular e pedagógica. A inovação não é sinônimo de uso de tecnologias, mas sim de mudanças na concepção de ensino e aprendizagem. E essas mudanças (ou não mudanças) de concepção são influenciadas diretamente pela formação que tivemos, pelas experiências e referências de docência que carregamos ao longo da nossa formação e que nos constituíram profissionais professores, numa relação constante entre essas concepções e as experiências práticas vivenciadas em sala de aula.

Nessa perspectiva, o Ensino Híbrido é uma proposta que une diversas metodologias e estratégias didáticas que visam a personalização do ensino e o trabalho colaborativo, tirando o foco da aprendizagem do professor e colocando o estudante como protagonista, tendo como base o trabalho colaborativo e a personalização do ensino.

A formação inicial aliada às tecnologias digitais pode ser um fator importante para a inovação nos ambientes em que os futuros profissionais serão inseridos. Esse módulo tem como objetivo discutir os conceitos, propostas e metodologias que envolvem o Ensino Híbrido, para dar subsídios à construção de novas estratégias que estimulem mudanças na prática pedagógica com potencial de inovação para o ensino e a aprendizagem no contexto institucional.

Na Unidade 1 você conhecerá um pouco sobre os conceitos, teorias e pesquisas que envolvem a educação híbrida, cultura digital, e inovação das práticas pedagógicas.

Na Unidade 2 você terá acesso à diversas estratégias didáticas e metodológicas que envolvem o trabalho pedagógico com uso de tecnologias digitais no ensino híbrido. Nessa unidade, há um destaque para as estratégias de gamificação no ensino superior. A Gamificação tornou-se uma das apostas da educação no século 21. Parece um conceito complicado, mas a Gamificação consiste em usar elementos dos jogos de forma a engajar os estudantes para atingir os objetivos de aprendizagem. Esse material foi cuidadosamente elaborado pela Profa. Patrícia Gomes Fernandes Matsubara, da Faculdade de Computação/UFMS.

Na Unidade 3 discutiremos a personalização do ensino e o papel do professor, elencando algumas estratégias de organização do trabalho pedagógico e gestão da aprendizagem.

Convidamos você a questionar os métodos tradicionais que consideram os estudantes iguais, na medida em que oferecem as mesmas atividades, os mesmos conteúdos, as mesmas formas de avaliação e as mesmas metodologias de trabalho para jovens e adultos que são totalmente diferentes.

A padronização é inimiga do aprendizado real. Afinal, não queremos formar máquinas de marcar “X”, mas sim oferecer oportunidades de aprendizagem iguais, para formar cidadãos críticos, responsáveis, inovadores e conscientes do seu papel na sociedade.